geração do raso

30 de janeiro de 2018

Somos das carreiras que nos consomem. Achamos que nosso corpo é descartável. Falta sono, sobra álcool. Achamos que o afeto pelos nossos avós mora no post de uma foto que será apagada ou esquecida. Não temos tempo para ouvi-los. Mudamos de amores como quem muda de ideia, mudamos de ideia como quem muda de roupa.
-
Somos a geração do raso, da água pelas canelas. Não mergulhamos fundo. Não sabemos o que é profundidade. Livros curtos, conversas rápidas. Fluidez. A gente acha que é rocha, mas a gente é gelo. E derrete, evapora, desaparece. Uma geração que trata tudo como descartável e que termina por ser, ela mesma, tão descartável quanto uma garrafa pet. Com a diferença de que a garrafa será reciclada e nós.. Nós deixaremos algumas selfies como legado.

sobre mudar de cidade para estudar

29 de janeiro de 2018

Sobre mudar de cidade para estudar: Você vai se encher de expectativas sobre sua nova casa. Você vai perceber depois de algum tempo que sua nova casa, talvez nunca se transforme num lar. Vai sentir o peso do mundo nas costas e suas responsabilidades irão se multiplicar. Você vai fazer contas para descobrir cadê o dinheiro que tava aqui. Você vai aprender a se virar, crescer 1 ano ou mais em um mês. Vai chorar de saudade antes de dormir, se sentir vazio, incompleto. Mas vai aprender a acordar no dia seguinte disposto a caminhar até o ponto de ônibus. Vai se dar mal na prova, vai sentir vontade de desistir de tudo e voltar pra casa. Vai lembrar que aqui agora é a sua casa, que seus pais estão felizes de te dar o que eles não puderam ter. Vai engolir o choro e prometer pra si mesmo: eu vou conseguir! Você vai cair várias vezes, perder o horário, talvez reprovar. Vai pedir férias incansavelmente, vai sonhar com a sua antiga cama e com o cheiro do café da sua mãe. Vai se perguntar inúmeras vezes se é realmente assim que deveria ser. Vai perceber que macarrão instantâneo é o salva-vidas nos momentos de correria e que café é um companheiro indispensável. Vai lembrar da vida que levava e perceber que a casa não se arruma sozinha, porém a bagunça parece sempre estar no modo automático. Vai perceber que a vida ensina mais do que o seu curso. Vai entender o significado de economia e a importância dela. Vai descobrir que não é só o começo que é difícil. Vai aprender que a saudade é um impulso, que estar na média significa mais tempo de férias e com isso, mas tempo no seu lar. Vai ver que o tempo passa voando, mas que as dificuldades continuam sempre plantadas no chão. Vai então se superar e suportar as faltas e ausências para se manter vivo. E por fim, você vai aprender que trocaria todas as coisas do mundo pelo abraço de sua mãe.

Dicas para calouros universitários.

25 de janeiro de 2018

Então, após dias de estudo sem parar no cursinho e em casa, nervosismo e encarar o terrível vestibular, você foi aprovado na faculdade que tanto queria? Parabéns! Como diria o falecido astronauta Neil Armstrong: “Este é um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade”. Porém, você só passou pelo primeiro estágio da faculdade. Agora é hora de enfrentar a realidade do Ensino Superior! Mas não se preocupe: neste artigo, eu vou te passar 14 dicas que irão te ajudar neste processo. ✌

1. A moleza nos estudos acabou!
Eu não sei como era a sua rotina de estudos até a conclusão do Ensino Médio, mas se você é como a grande maioria, que lidou com um sistema de ensino “mastigado”, terá que mudar os seus conceitos.
Na faculdade, você terá que estudar mais, será mais cobrado e forçado a pesquisar os conteúdos que estiver aprendendo por conta própria. Atente-se sobre isso principalmente se tiver que conciliar trabalho com faculdade.

2. Mantenha-se firme
Talvez você ache um pouco maçante a faculdade, principalmente o primeiro ano. Porém, não desista! Se realmente este é o curso que deseja fazer, aguente a puxada.

3. Seja disciplinado
Em uma faculdade, a responsabilidade de aprender, saber dos horários etc. é do aluno, e não do professor. Então, seja responsável com os seus compromissos para não se perder.

4. Vá aos eventos da faculdade
Aproveite o que a faculdade te oferece para aumentar o seu conhecimento e círculo de amizades: participe de palestras, workshops, vá a biblioteca etc.

5. Faça atividades extracurriculares o quanto antes
Não deixe para o fim da faculdade para fazer atividades extracurriculares, quando você estiver mais ocupado com TCC e afins. Aproveite para pesquisar sobre isto logo que possível. Isto aumentará o seu portfólio e as chances de conseguir um estágio ou um emprego.

6. Faculdade é o meio para um objetivo, e não o objetivo em si
Alguns encaram a faculdade como um desafio a ser vencido. Porém, quando o vencem, não sabem o que fazer. Também pudera: a faculdade é uma maneira de preparar para o desafio da vida profissional. Por mais que seja puxado, lembre-se que a verdadeira aventura começa quando você concluir o ensino superior.

7. Considere fazer o seu TCC com antecedência
Não deixe para pensar no TCC no último semestre do último ano! O TCC é algo complexo que demanda bastante tempo e empenho.
Vá pensando sobre ele já nos primeiros anos de faculdade: decida um tema, conheça as regras da ABNT, forme um grupo, pesquise o assunto com os professores… assim, ele estará pronto o quanto antes!

8. Nada de plágio!
Nem pense em copiar e colar informações da Wikipédia e de outros sites quando fizer os seus trabalhos. Seus professores vão desconsiderar plágios, cópias e trabalhos superficiais. Você pode usar de referências, mas o seu material precisa ser original.

9. Organize-se
Como já foi dito, você estudará mais, mas o seu tempo será menos. Então, é bom que você organize os seus horários, usando um aplicativo de tarefas ou uma agenda, por exemplo.

10. Tenha um grupo de trabalho
É mais fácil fazer certas atividades escolares em grupo, então faça um o quanto antes! Será bom para reforçar as amizades também.

11. Não tenha medo em buscar ajuda
Se você se sentir apurado com alguma coisa na faculdade, não tema em pedir socorro aos professores ou a quem for. Certamente irão te ajudar!

12. Faça intercâmbio, se te for possível
Se houver esta opção em sua faculdade, faça intercâmbio em outro país. Te será útil para o seu currículo e para o seu caráter, já que você aprenderá uma outra língua e uma nova visão cultural.

13. Relaxe de vez em quando
Por mais que seja puxado as responsabilidades da faculdade, tenha um tempo para você mesmo de vez em quando. Passeie, descanse, etc. É bom para a sua saúde e para estar com as baterias recarregadas.

14. Faça um balanço pessoal
De vez em quando pare tudo e veja se é isso mesmo que quer da sua vida. Mantenha o que está dando certo e mude o que não está funcionando.

O vazio em cada curtida

19 de janeiro de 2018

No Facebook e no Instagram acompanhamos o registro de vários acontecimentos na vida dos nossos contatos: festas incríveis, livros de cabeceira cabeçudos, drinks e jantares elaborados, janelas de avião, céu azul na praia, piqueniques, risadas. No Foursquare também estão registradas as passagens por alguma galeria de arte incrível, aeroportos internacionais ou festas VIP. Por que tudo isso?

Imagem é tudo
As mídias sociais criaram uma silenciosa e acirrada disputa entre as pessoas para mostrar quem aparenta ter a vida mais bacana. Pensamos que estamos felizes com o que temos até nos depararmos com um update na rede social que sussurra o contrário: você poderia ser mais interessante. Não para você, claro, mas para os outros. De que adianta ser feliz sem platéia? Compartilhar um ideal de vida é a cauda de pavão virtual — e nem sempre corresponde à realidade.


Tudo isso reflete traços emocionais e psicológicos profundos em cada um de nós, interferindo na nossa auto-imagem, auto-estima e também na forma como nos relacionamos. Quando compartilhamos uma foto, um link ou um pensamento nas redes sociais, apresentamos fragmentos daquilo que desejamos que nos defina. Dessa forma, existe a necessidade de aceitação.

Um estudo australiano afirmou que o Facebook alimenta a necessidade de auto-promoção de usuários com característica mais narcisista e extrovertida. Ao mesmo tempo, são os solitários que gastam mais tempo na rede social, como uma forma de interagirem com o mundo. Receber um comentário em um post estimula a auto-estima e também pode aliviar uma solidão. As pessoas esperam ler o quanto ficaram bonitas na nova foto do perfil, como é lindo o lugar em que passaram as férias, ou como elas possuem bom gosto musical.

Ansiedade pela audiência
Porém, na era do imediatismo provido pela mobilidade, cria-se uma angústia e ansiedade por feedbacks – estes que vem em forma de likes e comentários. Muito mais que um narcisismo, é a carência e a necessidade de pertencimento. Números que vão crescendo. Refresh. Mais likes. A quantidade torna-se maior que a qualidade, como pequenas manifestações de interesse que tentam preencher algum vazio. Tudo é quantificável.


Pensando em todos estes números angustiantes, o estudante de Novas Mídias da Universidade de Illinois, Benjamin Grosser, desenvolveu o Facebook Demetricator: uma ferramenta que remove os números do seu Facebook. Ao invés de mencionar a quantidade, como “7 pessoas curtiram isso”, a ferramenta substitui por “pessoas curtiram isso”. E também não mostra mais quantos amigos a pessoa tem, ela simplesmente tem amigos.
Mais do que canais e aplicativos, as redes são responsáveis por um novo comportamento social. As emoções humanas foram afetadas muito além do que se imaginaria. Hoje lidamos com quatro grandes esferas emocionais: a exaltação do ego, a necessidade de auto-afirmação, a sensação de pertencimento e a sensação de obrigação. Com isso, vários sentimentos são desenvolvidos de maneira única e desproporcional: frustração, orgulho, inveja, raiva, arrogância, ansiedade, alegria, curiosidade, etc.

Selfie, logo existo
A celebração da imagem individual é, de fato, um hot topic. Ano passado, a palavra “selfie” foi eleita a palavra do ano pelo Dicionário Oxford. Segundo os editores do dicionário, o uso da palavra aumentou 17.000% desde 2012 — quando foi primeiramente utilizada em um fórum online australiano. O sociólogo francês Michel Maffesoli, um dos principais pensadores sobre questões ciberculturais da atualidade, vê nos selfies mais uma expressão contemporânea da iconofilia, essa adoração imagética num eterno looping.

Macaulay Culkin vestiu uma camiseta de Ryan Gosling vestindo uma camiseta de Macaulay Culkin. E a Internet deu conta de manter essa continuidade ad eternum.

Maffesoli diz que, de fato, as mídias sociais tendem a dispor uma figuração feliz de nós mesmos. É uma tentativa de dar à tribo que pertencemos imagens reconfortantes de nós mesmos. Essa aparente felicidade traduz um “pudor antropológico”, um elemento essencial do viver em sociedade. Uma tendência da pós-modernidade, que atinge em especial as jovens gerações, consiste em se acomodar ao mundo. Adaptar-se, ajustar-se a ele. Se a regra é selfie, nós nos encaixamos nisso.
Não há como não se identificar. Vivemos, de fato, na sociedade do espetáculo (com licença, Guy Debord). E, por estarmos imersos neste contexto, também participamos criando e reproduzindo auto-imagens. Qual é o motor desse comportamento? Adequação social? Afirmação da personalidade? Alimentação do ego? Necessidade de participação? Apaziguamento do tédio ou ansiedade? Seja qual for o motivo você — e eu — participamos disso.

15 de janeiro de 2018

“Isso vem se tornado uma maldição que carrego comigo todas as noites que me deito na cama, sozinho com meus pensamentos. Já amanhã levantarei sorrindo, colocarei belas roupas, usarei um excelente sorriso e tudo passará despercebido aos olhos de todos, menos a mim.”
Originalmente, Marilyn Monroe

ascentuando

4 de agosto de 2017

Acho que as postagens mais complexas e difíceis de externar em palavras são as de cunho pessoal, aquelas que exprimem mesmo alguns sentimentos, medos, incertezas, imaginações, pensamentos, inspirações..
Sexta-Feira, já é agosto há três dias, e o tempo não para de correr, minhas férias estão na reta final e já imagino e anseio pelas próximas. Havia me esquecido dessa sensação boa que é estar realmente em casa, antigos amigos, sentir-se livre, sentir-se em casa. Os dias tem sido tranquilos, preguiçosos, e nostálgicos. Em pensar que domingo volto pra capital, e a rotina se repete, dá um nó na garganta, e o sufoco tenta tomar conta, mas ainda consigo o domar. Como se não bastasse os anseios pessoais, ainda tem essa bagunça aqui no brasil, sobre toda essa sujeira que estão fazendo no pais, queria não me importar com isso, mas não é simples para uma pessoa sensitiva, então o jeito é ir a luta. 👊
-
As vezes sinto um cansaço extremo, uma falta de inspiração, e os questionamentos vem a tona na maioria das vezes sem respostas. Um dos passatempos favoritos aqui no interior e sair com os amigos para barzinhos ou reuniões em casa, sempre acompanhado de algumas cervejas e cigarros, esse ultimo quesito estou tentando reduzir até largar de vez. Esse diário virtual tem sido uma válvula de escape para tanta coisa que se passa pela minha cabeça e as vezes não encontro métodos de externar. Não gosto muito de ficar em casa sexta a noite, mas uma gripe acabou me retendo hoje. Amanhã meus amigos estão a programar um acampamento em um povoado vizinho, e quem me acompanha sabe como eu amo acampar, ainda mais com minha turma, mas a viagem pra capital já no fim de semana, e coisas que preciso organizar até domingo me impedem de ir. Como seria bom se existisse um botão que frisasse alguns momentos, e desse next em outros.
Seguindo o baile, vamos para a tv ver o que está passando e se afogar em redes sociais. 👻

Sense8

21 de junho de 2017


É difícil descrever Sense8 em poucas palavras. É uma série de ficção científica; É um drama conjunto; É um comentário cultural sobre o mundo em que vivemos. É emocionante; É doloroso; É lindo - é tudo o que está acima. Mas talvez esse seja o ponto, como os oito estranhos que eventualmente se juntam para criar uma família única de "ˈsɛnseɪt" (indivíduos mentalmente e emocionalmente ligados em todo o mundo), são todas essas diferenças que se unem para formar uma série incrivelmente comovente e fantástica.

O que considerei mais forte em Sense8, sem dúvida, foi a relação entre o principal elenco de personagens: os oito senseits, bem como vários de seus amigos, amantes e aliados. Como Capheus, Sun, Nomi, Kala, Riley, Wolfgang, Lito e Will navegaram nas complexidades de sua conexão inesperada, a série também proporcionou aos telespectadores a oportunidade de conhecê-los de uma maneira única. O vínculo sensível, para melhor ou pior, é fortemente íntimo; Quando experimentam a turbulência emocional de outra pessoa, a dor física ou o prazer arrebatador. O público, por sua vez, adota o papel de um nono senseit, como uma janela através da qual nos deixa testemunhar tudo. Os senseits não podem esconder nada uns dos outros, e nada está escondido para todos nós seguindo a jornada. É por isso que os fãs da série são mais do que meros fãs; Eles também podem ser considerados familiares.



Vou sentir falta da série, dos personagens, desse elenco incrível e que transmitiu tão bem essa bela mensagem. Mesmo em seu curto tempo sense8 conseguiu transmitir sua mensagem de forma clara e profunda, absorvi ensinamentos incríveis sobre a vida e suas tramas.
Sou suspeito em escrever sobre a série, afinal, me tornei fã. O que o  Sense8  conseguiu realizar para o gênero de ficção científica dentro de 23 episódios não pode ser subestimado. Ofereceu comentários intrincados e envolventes sobre questões de sexualidade, gênero, política, religião e raça; Abrangeu oito cidades e sete países; Retratou a beleza da conexão humana, tolerância e compreensão; E isso me lembrou como o mundo pode ser grande, e que nossas histórias são mais universais do que percebemos. Independentemente das tentativas da série de criar um arco envolvente envolvendo uma conspiração governamental, nunca houve dúvida de que o que mais ressoou foi a sua mensagem sobre o amor.

Sense8 é o tipo de série que não enchia meus olhos, entretanto, esses dias vi um post da Maira em seu blog sobre o elenco da série e assisti o primeiro episódio, consequentemente fui ao segundo, e quando me dei conta já estava no ultimo episodio da primeira temporada. Fico triste quando percebo que algo tão maravilhoso tão terá uma continuidade, assisti lentamente a segunda temporada e imagino probabilidades que não irão existir, enfim, uma série sensacional que trás a luz reflexão  em todos os sentidos.