todo tempo é tempo de qualidade.

16 de agosto de 2020

Jardim de Luxemburgo | Michella Emilio

Nunca acreditei no tal tempo de qualidade, onde pequenas horas em determinados momentos valessem mais que várias horas ao lado de pessoas importantes, ao meu ver todo o tempo junto a quem é importante para nós é valiosíssimo, seja ele como for.

Esses dias li esse artigo no New York Times, do colunista Frank Bruni : “The Myth of Quality Time” (O mito do tempo de qualidade), artigo que me instigou a falar sobre o tal tempo de qualidade aqui.

O autor conta que a sua família se encontra todos os anos, durante uma semana inteira no verão. Até então, ele sempre tentava se esquivar de toda essa convivência chegando um dia atrasado e indo embora uns 2 dias antes. Nos últimos anos ele se propôs a ficar a semana inteira. E foi aí que notou a diferença. 

Ficando mais tempo, ele percebeu que aumentou muito a probabilidade de que ele estivesse presente naquele momento exato, mas puramente randômico, em que um de seus sobrinhos pede um conselho, um irmão relembra aquela história de infância que fará todos rirem incontrolavelmente, ou quando a sua sobrinha precisa de alguém além de seus pais para lhe dizer o quanto ela é esperta e, de repente, a corrente aconchegante e feliz do vínculo afetivo fica ainda mais apertada.

Os seres humanos são assim, não há como planejar com alguém, escute aqui, agora vamos nos sentar e falar das nossas maiores aflições e planos de vida, visto que só temos algumas horas. Não, não é assim. As nossas emoções e humores não operam com pré-programação.
Os casais também passam a morar juntos não apenas por uma questão financeira, mas por entenderem consciente ou instintivamente que a proximidade continuada é o melhor caminho para a alma de uma outra pessoa.

Simplesmente não há substituto para a presença física.

Então você que franziu a testa sabendo que no domingo tem encontro da família, quem sabe muda de ideia e aparece para conversar um pouco e dar umas boas risadas. Vai que alguém está precisando contar uma história há tempos, ou aquele conselho que você tanto queria surge bem ali, enquanto lava a louça ou repete a sobremesa.

como diria blavatsky

13 de agosto de 2020


Não sei olhar pra mim sem ser no espelho, talvez por que não queira descobrir de onde vim, ou quem eu sou. Mas ao me deparar contigo, eu lembro de um tempo.. De um tempo em que os humanos não escravizavam os animais, de um tempo em que entendíamos que somos seres imortais!
Do outro lado da galáxia era você o meu mentor. Brincando, assim me preparava para o ouro e para dor dessa missão que eu mesmo escolhi..
E antes de eu "descer" me avisou:
- Você não vai saber por que está ali
- Você não vai saber lidar com seu poder
- Nem mesmo vai lembrar quem é, nem de onde vem
Mas hoje, de algo em seu olhar eu me encontrei Você me faz lembrar que somos Deuses caídos na terceira dimensão, e que se estamos aqui foi nossa a escolha então. E porque não dizer que temos tempo Pra tudo?

A intuição.

12 de agosto de 2020

O Tempo Descobre a Verdade — 1871 | Juan Antonio.

Há uma voz no silêncio que fala; Mesmo antes da primeira gota de chuva cair sobre a terra seca, antes do vento vir cavalgando dentre a mata trazendo a notícia da chuva —   essa voz te alerta!

A intuição guarda em si o passado e futuro no momento presente, quando se está consciente tudo vibra, a chave é a atenção e vontade, não só as pessoas ou o que aparentemente tem vida, mas também os objetos ditos inanimados, eles têm memórias, tem uma vida, pois onde quer que a vida toque, há vida! Quando os olhos da consciência passam pela matéria, nada permanece inerte.

Talvez teu medo não seja de perder o controle, mas de possuí-lo. O poder traz tanto liberdade quanto responsabilidade, depende dos "olhos" de quem observa. Só se perdendo que se descobre um novo caminho ou lugar. Para se conhecer é preciso pular nos abismos mais sombrios do teu próprio ser; sem medo. Por maior que seja as trevas, elas não engolem o mínimo lampejo de luz — do contrário! — toda escuridão é revelada e Distinguida.

Quem tem uma missão não teme o fracasso, pois está muito ocupado com seu trabalho. Quanto mais trevas, mais nosso mundo interno pode se manifestar, mas o que guardamos no "porão" da nossa alma (?) — tem alimentado monstros ou heróis dentro de si? — O medo é culpa, se perdoe e continue, tudo é mental. Deixe essas palavras caírem na sua alma, como a chuva que ainda nem chegou, mas você a sente aqui e agora. Prepare o campo com boas sementes...
Antes dos sinais a voz silenciosa fala, e só a ouve, quem se cala.

hoje

31 de julho de 2020

Hoje estou a pensar em nós, não sei porquê, de repente todas as lembranças acordaram dentro de mim, quando o mais lógico seria esquecer, seria te apagar do livro do meu coração. Mas, de repente, comecei a pensar, não sei o que provocou isso, talvez tenha seja as noites frias, ou uma conversa com uma prima minha que nos acompanhava no tempo do curso há uns nove anos atrás, ou talvez o pôr-do-sol bonito que vi, nada restou... nada...

Eu pensei que ia continuar a viver, como antes daquele dia que ti vi pela primeira vez na assembleia, antes de entrar na minha vida, mas hoje compreendo que você em mim, ficou na minha vida. tua impressão me marcou de tal maneira e com tamanha força, que até em meu sangue ferve em minhas artérias quando penso em tu.

Veio para a minha vida como uma brisa leve que vem para a tarde quente de verão, simplesmente veio. Apareceu com uma doce beleza que eu jamais sonhara ver e que de repente surgiu. Pensei que amar fosse apenas desejo, contato de lábios, de corpos, de mãos, entretanto, aprendi que o verdadeiro sentimento vem de dentro. Das profundezas da alma e do fundo do coração.

Estou só e por isso analiso o que sinto por você, analiso esta ansiedade, esta vontade imensa de te ver, de te ter nos meus braços, de sentir a tua presença, de ouvir as tuas palavras e ver a tua alma debruçada nesses olhos que são toda a luz da minha vida. Retrocedi pelo meu caminho e pensei que estava na hora de recomeçar a viver, mas senti que não estava só, tinha comigo a sombra da saudade a me seguir, me falando de ti, me falando de nós e por isso estou a pensar em ti nesta noite vazia e fria, mas cheia de saudade.

Estou a pensar em nós que fomos algo e hoje não somos nada. Apenas dois estranhos, dois estranhos separados. Estou só e continuarei só. É como se a vida tivesse perdido o sentido, como se o adeus tivesse matado em mim o que eu tinha de mais nobre, de mais belo que era a capacidade de amar. Nada restou para mim restando-me apenas o conteúdo de saudade. Só esta vontade, imensa de abraçar como um dia eu fiz, sentir mesmo que por segundos seu calor nos meus braços. Estou perdido dentro de mim mesmo e assim já me acostumei. Por mais que tente não consigo te esquecer.
Terminei a universidade, terminei uma pós graduação, e saca só estou quase terminando o mestrado, queria que soubesse, soubesse que aquele teu olhar foi o que me motivou a ir além do que eu já imaginei um dia. Mas não saberá, não me escutara, não se lembrará. :(
Que em uma próxima vida, possa me reconhecer, como te reconheci nessa.

a gente se acostuma..

16 de julho de 2020

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não deveria..
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem outra vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha pra fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler o Jornal no ônibus porque não pode perder o tempo de viagem. A comer sanduíches porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E não aceitando as negociações de paz aceita ler todo dia, de guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios, a ligar a televisão e assistir comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar por ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável, à contaminação da água do mar, à lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galos na madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta do pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só o pé e sua o resto do corpo.. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que de tanto acostumar, se perde de si mesma.
Deveraux.
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