hoje

31 de julho de 2020

Hoje estou a pensar em nós, não sei porquê, de repente todas as lembranças acordaram dentro de mim, quando o mais lógico seria esquecer, seria te apagar do livro do meu coração. Mas, de repente, comecei a pensar, não sei o que provocou isso, talvez tenha seja as noites frias, ou uma conversa com uma prima minha que nos acompanhava no tempo do curso há uns nove anos atrás, ou talvez o pôr-do-sol bonito que vi, nada restou... nada...

Eu pensei que ia continuar a viver, como antes daquele dia que ti vi pela primeira vez na assembleia, antes de entrar na minha vida, mas hoje compreendo que você em mim, ficou na minha vida. tua impressão me marcou de tal maneira e com tamanha força, que até em meu sangue ferve em minhas artérias quando penso em tu.

Veio para a minha vida como uma brisa leve que vem para a tarde quente de verão, simplesmente veio. Apareceu com uma doce beleza que eu jamais sonhara ver e que de repente surgiu. Pensei que amar fosse apenas desejo, contato de lábios, de corpos, de mãos, entretanto, aprendi que o verdadeiro sentimento vem de dentro. Das profundezas da alma e do fundo do coração.

Estou só e por isso analiso o que sinto por você, analiso esta ansiedade, esta vontade imensa de te ver, de te ter nos meus braços, de sentir a tua presença, de ouvir as tuas palavras e ver a tua alma debruçada nesses olhos que são toda a luz da minha vida. Retrocedi pelo meu caminho e pensei que estava na hora de recomeçar a viver, mas senti que não estava só, tinha comigo a sombra da saudade a me seguir, me falando de ti, me falando de nós e por isso estou a pensar em ti nesta noite vazia e fria, mas cheia de saudade.

Estou a pensar em nós que fomos algo e hoje não somos nada. Apenas dois estranhos, dois estranhos separados. Estou só e continuarei só. É como se a vida tivesse perdido o sentido, como se o adeus tivesse matado em mim o que eu tinha de mais nobre, de mais belo que era a capacidade de amar. Nada restou para mim restando-me apenas o conteúdo de saudade. Só esta vontade, imensa de abraçar como um dia eu fiz, sentir mesmo que por segundos seu calor nos meus braços. Estou perdido dentro de mim mesmo e assim já me acostumei. Por mais que tente não consigo te esquecer.
Terminei a universidade, terminei uma pós graduação, e saca só estou quase terminando o mestrado, queria que soubesse, soubesse que aquele teu olhar foi o que me motivou a ir além do que eu já imaginei um dia. Mas não saberá, não me escutara, não se lembrará. :(
Que em uma próxima vida, possa me reconhecer, como te reconheci nessa.

a gente se acostuma..

16 de julho de 2020

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não deveria..
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem outra vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha pra fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler o Jornal no ônibus porque não pode perder o tempo de viagem. A comer sanduíches porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E não aceitando as negociações de paz aceita ler todo dia, de guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios, a ligar a televisão e assistir comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar por ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável, à contaminação da água do mar, à lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galos na madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta do pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só o pé e sua o resto do corpo.. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que de tanto acostumar, se perde de si mesma.
Deveraux.

o amor não impõe, evolui.

14 de julho de 2020

Imagem @gisllei

Já ouvi muita gente afirmar: “se ele (ou ela) me ama tem que me aceitar do jeito que sou”. Confesso que sempre achei essa convicção temerária. 

Pessoas que se impõem assim, e não estão dispostas a mudar nada em seus comportamentos, preferências, amizades ou rotinas, fazem dessa constatação um ponto final, e não um ponto de partida para uma relação. Elas encerram qualquer possibilidade de diálogo. Parecem considerar-se intocáveis e agem como se fossem perfeitas, restando ao outro aceitar, se quiser continuar ou manter um relacionamento. 
Mas acreditar que se alguém nos ama nos deve aceitar na íntegra, também pressupõe que aceitemos o outro exatamente como ele é. Se formos irretocáveis, o outro também deverá ser, porque a aceitação é uma via de mão dupla.
Porém, é necessário lembrar que somos obras em construção. Ninguém é perfeito. Precisamos melhorar, — isso é evolução, amadurecimento, e trata-se de um processo contínuo. A nossa missão aqui, na terra, é a de aprender e evoluir até ao fim de nossas vidas.

Numa relação (qualquer que seja essa relação) é essencial que os dois evoluam. E há uma diferença substancial entre tentar mudar o outro e ajudá-lo a crescer. A fronteira entre esses dois conceitos é tão tênue, tão esbatida, que, por vezes, se torna difícil distingui-los.

Querer mudar o outro é um ato egoísta, de imposição. É dizer-lhe como se deve comportar, o que vestir ou fazer, como falar, que amigos ter, que lugares frequentar, quais hobbies cultivar. É tentar ajustar o outro aos nossos desejos, moldando o seu comportamento como se molda uma estátua em argila. E acreditar que se pode mudar o outro significa, tacitamente, que devemos concordar que ele também nos queira mudar.

Fazer o outro crescer é algo diferente: é uma troca, um diálogo. É um ato conjunto, em que os dois estão dispostos a ceder, a negociar, a abrir mão de pequenas coisas e a abraçar outras. É o reconhecimento de que a relação funciona como uma dança: é preciso ajustar o passo, conhecer a respiração, procurar o momento certo para os movimentos do corpo, até que tudo se encaixe, em harmonia. Sem pressas e sem violências, porque dançar e crescer são, antes de mais, atos de doçura.
Posições extremas, quando um quer impor a sua vontade (mesmo que seja para dizer que nunca mudará), são sempre posições de conflito, e uma relação deve representar o equilíbrio, — ou deve ser essa busca permanente pelo equilíbrio. Uma relação é uma estrada entre os mundos de dois seres. Uma estrada construída devagar. E é nessa lenta construção que o casal se ajusta, cresce como cipós que se entrelaçam, ou cede como bambus ao vento.

O amor é aceitar o outro e evoluir com o outro. 

Não somos seres acabados. Ninguém pode ter a pretensão de ser um pequeno deus que pode redesenhar o outro, mas também, ninguém pode ter a arrogância de acreditar que tudo em si é perfeito e irretocável ao ponto de nada mudar. Somos projetos, seres em evolução. Os caminhos dessa evolução dependem das nossas escolhas, dos nossos companheiros, da nossa humildade perante o futuro, da nossa capacidade de aprendizagem, da nossa inteligência emocional.    
O amor perfeito não é o que nos faz acreditar que somos perfeitos, nem é aquele que nos obriga a mudar. O amor perfeito é aquele que nos faz crescer, transformar com o outro, para que nos ajustemos num abraço redondo, sem esquinas. 
G. B. Deveraux

7 de maio de 2020

Eu como astronauta visitei planetas
Transpus os limites do céu multicor,
Viajei a bordo dos meus pensamentos,
Fiz do coração um disco voador,

Em meio às galáxias do mundo e universo,
Encontrei em teu nome o significado de amor
Eu estou em órbita entre a terra e júpiter,
Vigiando os astros que seguem seu passos,

No céu de sua boca meus lábios decolam,
E a nuvem de beijo encobre os espaços,
E essa massa cósmica que envolve os planetas, constituem os elos dos nossos abraços.

Madeixas da noite estéticas de estrela,
Beleza que igual não tem em outra parte,
Na mitologia marte é o deus guerra, mais você é a divindade da minha paixão,

Seu rosto tem traços da face da lua,
Seus olhos tem brilho de constelação,

E você como a nave discovery já fez,
Uma aterrissagem no meu coração.

6 de fevereiro de 2020

Eu não poderia estar mais errado, eu achei que poderia sorrir e seguir em frente, fingir que está tudo bem. Eu tinha um plano, eu queria mudar quem eu era e levar a vida como uma pessoa nova, sem passado, sem a dor de alguém que viveu, mas não é tão fácil. As coisas ruins ficam com você, elas seguem você. Não dá pra escapar, por mais que se queira..
Tecnologia do Blogger.
Gislei | All Rights Reserved | 2010/ ©