13 de junho de 2019

Eu estava no inverno da minha vida - e os amigos que encontrei pelo caminho eram meu único verão. À noite eu dormia e tinha visões de mim mesmo dançando, rindo e chorando com eles.
Três anos consecutivos em uma infinita turnê mundial e minhas memórias deles foram as únicas coisas que me sustentaram, e meus únicos momentos felizes reais. Eu era um cantor, não muito popular, que tinha o sonho de se tornar um belo poetizo - mas uma série de eventos desafortunados destruiu esse sonho e o dividiu como um milhão de estrelas no céu noturno, para que eu fizesse pedidos a elas de novo e de novo - brilhantes e destruídas.
Mas eu não me importei, porque sabia que ter tudo que você quer e depois perder isso tudo, é saber o que a liberdade verdadeiramente é. Quando as pessoas que eu conhecia descobriram o que eu fazia, como eu vivia - elas me perguntaram por quê. Mas não faz sentindo falar com pessoas que têm um lar, elas não têm ideia de como é procurar segurança em outras pessoas, procurar um lar onde você possa descansar a cabeça.
Sempre fui um menino incomum, minha mãe me disse que eu tinha alma de camaleão. Nada de uma bússola moral apontando para o norte, nada de personalidade fixa. Apenas uma determinação interna que era tão grande e oscilante quanto o oceano. E se eu dissesse que não planejava as coisas desse jeito, estaria mentindo, porque eu nasci para ser a espada mais flamejante. Eu não pertencia a ninguém - pertencia a todo mundo, não tinha nada - que queria tudo com o fogo de cada experiência, e uma obsessão por liberdade que me assustava tanto a ponto de nem conseguir falar sobre isso. E me empurrou para um ponto nômade de loucura que tanto me deslumbrava quanto me deixava tonto.
Toda noite eu costumava rezar para achar pessoas como eu - e finalmente achei - na estrada. Não tínhamos nada a perder, nada a ganhar, nada que desejássemos mais - exceto transformar nossas vidas em uma obra de arte. Viva rápido. Morra jovem. Seja selvagem. E se divirta.
Eu acredito no que a América costumava ser, no que o Brasil realmente era. Eu acredito na pessoa que quero me tornar, acredito na liberdade da estrada. E meu lema é o mesmo de sempre - acredito na gentileza dos estranhos.
E quando estou em guerra comigo mesmo, eu ando por aí. Só ando por aí.
Quem é você? Você está em contato com todas as suas fantasias mais escuras? Você criou uma vida para você mesmo na qual é feliz para experienciá-las? Eu criei. Eu sou louco pra caramba. Mas eu sou livre.

GISLEI BRASIL MONTENEGRO.

O ódio venceu uma batalha.

28 de outubro de 2018

Na verdade me faltam palavras, não sei o que falar, apenas sentir. Entre rojões de fogos, fogos de racismo, fogos de homofobia, fogos de machismo, fogos de intolerância e barulho de tiros que escuto calado pela janela do quarto. Sinto um pesar intrínseco como quem recebe uma nota de falecimento, e de fato ao que parece ser, é o falecimento da liberdade e doce democracia a qual tanto lutamos. Entretanto, me acalmo ao estar convicto que está é uma derrota honrosa, que tem um sabor mais doce que o fel da vitória ao qual os fascistas se deliciam neste triste momento da história do pais. Momento o qual grande parte do Brasil, deixou o ódio a um partido os cegar, elegeram um fascista que faz apologia a tortura, dentre diversas outras barbaridades pregadas em seus discursos de ódio. Perdemos uma batalha, mas a guerra ainda não foi findada, e seremos resistência.
Que neste delicado momento, nós, que lutamos esta honrosa luta pela liberdade e ideais humanista os quais acreditamos venhamos a nos unir, segurando as mãos um do outro sem soltar, lutando e resistindo juntos. Então a todxs que lutaram esta boa luta, meu caloroso abraço e admiração. Estamos juntos e não ficaremos sozinhos. Que cuidemos uns dos outros sem se deixar abater pelo medo e repressão.

Hoje o Brasil perdeu, perdeu para o ódio, mas está guerra ainda não acabou.

eu, o blog e as mudanças.

16 de julho de 2018


Incontáveis foram as vezes que o blog vinha em meu pensamento nesses últimos dias e meses, muitas das vezes eu tinha idéias e pensamentos sobre projetos e até mesmo coisas aleatórias do dia para vir aqui compartilhar mas eu sou um desastre quando estou sob algum tipo de pressão. Existem alguns posts em rascunhos que um dia ainda vão emergir aqui, no mais por momento somente essas palavras de mudança e alguns retoques no layout.
Nos últimos quatro meses, muita coisa aconteceu. Fui convidado a ser diretor de eventos da atlética de enfermagem da minha universidade, o que era um dos meus objetivos. consegui um emprego na gigante Sephora, e já sai dele também. o final de semestre mais longo até o momento, e muitos atritos interpessoais e filosóficos procurando um espaço para fluir.

Entretanto com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo o blog foi ficando paradinho por um tempo, estacionou em uma vaga de quase esquecimento no webmundo e ficou um tempinho na reserva. Mas sempre me atiçava em um pensamento ou outro, até que depois de sacudir a poeira, organizar o que faltava e aproveitar o restante das férias da universidade resolvi da um pouco mais de atenção a este espaço que mais se compara a um djavã que qualquer outra coisa que eu tinha imaginado pra ele. Tadinho me acompanha a quase dez anos não é justo abandonar ele assim.

Nos últimos anos as coisas mudaram, a blogosfera mudou também. Sou péssimo em contas mas imagino que cerca de 60% dos antigos blogs migraram para o youtube e agora são canais que trocaram a escrita por algo mais mastigado, outros 30% desapareceram, talvez de desgosto com a tal mudança no web mundo e seus novos residentes, o que restam são 10% de blogs com a essência de blog mesmo, sem muita preocupação com toda estética exigida nos blogs atuais, e que só queiram de fato compartilhar suas idéias e pensamentos. Ainda assim desses últimos 10% talvez nem a metade se mantenha fluida como antes. Uma lástima.

Mudanças assustam mas as vezes são necessárias, imagino que eu não seja mais aquele adolescente de 2010 que criou um blog chamado quase meia noite que mais tarde se transformaria nesse diário que você está lendo, o blog mudou e eu também, entretanto, continuo aqui firme e forte para contar minhas histórias e dividir pensamentos que acredito.

Haaaa, eu ando utilizando outras redes também, olha só: instagram, facebook e twitter.
Obrigado a todxs que não desistiram de ler minhas histórias, e se você leu tudo até aqui, te espero até a próxima, seja ela aqui no meu blog, ou no seu caso você tenha um, nos vemos jájá. xoxo

coração turista

22 de abril de 2018

Saudade eu catalogo mas paixões eu não mantenho, que eu mesmo me interrogo quantos corações eu tenho. Que coração é esse que escuta e faz promessa, desperta o interesse mas depois não se interessa. Coração! que carma você tem? Que envolve todo mundo, entretanto não se envolve com ninguém.
Meu coração tem sido como um músculo de borracha que quer ficar perdido toda vez que alguém o acha, meu coração carente é um cofre de mistério, brincou com tanta gente que ninguém o leva a sério. Meu coração tem hora que prefere estar sozinho depois chorando implora uma esmola de carinho, de tanta crueldade que meu coração apronta virou propriedade que ninguém quer tomar conta.
Com juras ilegítimas, até breve e um talvez, não tem quem conte as vitimas que meu coração já fez; Meu coração turista bandoleiro e vagabundo promete amor à vista e dá calote em todo mundo.

Ainda ontem, eu tinha vinte anos.

21 de abril de 2018

Ainda ontem eu tinha vinte anos, acariciava o tempo e brincava de viver, como se brinca de namorar;
E vivia a noite sem considerar ou pensar meus dias que escorriam no tempo, eu fiz tantos projetos que ficaram no ar, alimentei tantas esperanças que bateram asas.. Que permaneço perdido sem saber aonde ir, os olhos procurando o céu mas, o coração posto na terra.

Ainda ontem eu tinha vinte anos, desperdiçava o tempo acreditando que o fazia parar, e para retê-lo, e até ultrapassá-lo, eu só fiz correr e me cansar. Ignorando o passado, conjugando o futuro eu precedia e antecipava de mim qualquer conversação. E opinava que eu queria o melhor por criticar o mundo com desenvoltura.

Mas perdi meu tempo a cometer loucuras, que não me deixa, no fundo nada e realmente concreto
Além de algumas rugas na fronte e o medo do tédio.
Porque meus amores morreram antes de existir. Meus amigos partiram e não mais retornarão, por minha culpa eu criei o vazio em torno a mim. E gastei minha vida e meus anos de juventude do melhor e do pior descartando o melhor, imobilizei meus sorrisos e congelei meus choros.
Onde estão agora, meus vinte anos?

geração do raso

30 de janeiro de 2018

Somos das carreiras que nos consomem. Achamos que nosso corpo é descartável. Falta sono, sobra álcool. Achamos que o afeto pelos nossos avós mora no post de uma foto que será apagada ou esquecida. Não temos tempo para ouvi-los. Mudamos de amores como quem muda de ideia, mudamos de ideia como quem muda de roupa.
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Somos a geração do raso, da água pelas canelas. Não mergulhamos fundo. Não sabemos o que é profundidade. Livros curtos, conversas rápidas. Fluidez. A gente acha que é rocha, mas a gente é gelo. E derrete, evapora, desaparece. Uma geração que trata tudo como descartável e que termina por ser, ela mesma, tão descartável quanto uma garrafa pet. Com a diferença de que a garrafa será reciclada e nós.. Nós deixaremos algumas selfies como legado.

sobre mudar de cidade para estudar

29 de janeiro de 2018

Sobre mudar de cidade para estudar: Você vai se encher de expectativas sobre sua nova casa. Você vai perceber depois de algum tempo que sua nova casa, talvez nunca se transforme num lar. Vai sentir o peso do mundo nas costas e suas responsabilidades irão se multiplicar. Você vai fazer contas para descobrir cadê o dinheiro que tava aqui. Você vai aprender a se virar, crescer 1 ano ou mais em um mês. Vai chorar de saudade antes de dormir, se sentir vazio, incompleto. Mas vai aprender a acordar no dia seguinte disposto a caminhar até o ponto de ônibus. Vai se dar mal na prova, vai sentir vontade de desistir de tudo e voltar pra casa. Vai lembrar que aqui agora é a sua casa, que seus pais estão felizes de te dar o que eles não puderam ter. Vai engolir o choro e prometer pra si mesmo: eu vou conseguir! Você vai cair várias vezes, perder o horário, talvez reprovar. Vai pedir férias incansavelmente, vai sonhar com a sua antiga cama e com o cheiro do café da sua mãe. Vai se perguntar inúmeras vezes se é realmente assim que deveria ser. Vai perceber que macarrão instantâneo é o salva-vidas nos momentos de correria e que café é um companheiro indispensável. Vai lembrar da vida que levava e perceber que a casa não se arruma sozinha, porém a bagunça parece sempre estar no modo automático. Vai perceber que a vida ensina mais do que o seu curso. Vai entender o significado de economia e a importância dela. Vai descobrir que não é só o começo que é difícil. Vai aprender que a saudade é um impulso, que estar na média significa mais tempo de férias e com isso, mas tempo no seu lar. Vai ver que o tempo passa voando, mas que as dificuldades continuam sempre plantadas no chão. Vai então se superar e suportar as faltas e ausências para se manter vivo. E por fim, você vai aprender que trocaria todas as coisas do mundo pelo abraço de sua mãe.