sexta-feira, 1 de maio de 2015

O poder das emoções "ruins"


É isso mesmo. Sentimentos como raiva, revolta, indignação, são poderosos e têm um grande potencial transformador. E sim, BENÉFICO!
Vivemos numa cultura que aplaude a atitude da ovelha e repudia a atitude do leão, e por isso condenamos nossas emoções e as escondemos ou reprimimos, ao invés de aprender a lidar com elas. Essa é uma fórmula de autoboicote também. O “X” da questão não é o sentimento, mas o que fazemos com ele. E, como não aprendemos jamais o que fazer com os sentimentos “feios”, geralmente fazemos grandes burradas, pois, seja escondendo, reprimindo ou extravasando, estamos sujeitos ao seu domínio e não somos capazes de direcioná-lo.

Um bom exemplo disso são os monges tibetanos, que temos como exemplos de serenidade, mas que são tão humanos quanto nós. Eles não chegam iluminados aos seus monastérios, com “altas patentes” de sabedoria. Eles começam exatamente aprendendo, desde o mais baixo patamar, a lidar consigo mesmo, com seus sentimentos, e a direcionar-se, a desenvolver a lucidez que um dia lhes trará a iluminação. E um belo dia, lá está o aspirante a monge terminando de lavar com uma escova os dez quilômetros de chão do templo, quando chega o bam-bam-bam monástico, olha para sua expressão de cansaço diante daquele salão todo limpo e escovado, e lhe diz que ele é um incompetente, que não serve nem para lavar o chão, e que jamais conseguirá alçar as grandes responsabilidades de um mestre. É claro que ele fica com raiva, com a mesma raiva que todo ser humano sente ao ser subestimado e ao ver seu esforço ser tripudiado. E isso se repetirá algumas ou muitas vezes. Mas ele não pode mandar o mestre tomar naquele lugar, nem lhe dar um soco no nariz, nem se vingar dele. Ele terá de aprender o que fazer com sua raiva para dar o troco naquela situação sem agredir seu mestre. E sentirá essa raiva até transformá-la na força motivadora que ele precisa para sua superação até que, um belo dia, dando o melhor de si para aquilo que está fazendo e jogando toda a sua raiva no escovão com que esfrega impecavelmente o chão, ele verá o mestre chegar ao salão e observar não um semblante de cansaço, mas um semblante de contemplação e de satisfação pelo resultado do esforço que fez. E, então, ele ouvirá do mestre “Eu estava enganado, talvez você sirva para limpar o chão”. Mas neste momento, ele já saberá que sua raiva deve ser usada contra suas limitações e as limitações do cotidiano... E isso o conduzirá ao próximo patamar.

Tem certos momentos em que saber direcionar a raiva, a agressividade, a revolta, pode ser um fator decisivo na determinação de como será o resto da nossa vida. Tem certos momentos em que a atitude de conformismo e passividade da ovelha é um golpe mortal na nossa integridade e no nosso caminho. Não existem sentimentos “maus”, existem más escolhas sobre o que fazer com eles, que podem causar prejuízos aos outros, ao nosso meio e a nós mesmos, mas elas são feitas por nos recusarmos a manejá-los, por não desejarmos nos familiarizar com seus mecanismos e, consequentemente, sermos dominados por eles ao invés de direcioná-los. Sábios monges tibetanos...

Abençoados Sejam!

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